Após quase duas décadas de estrada, a banda relembra sua trajetória, desafios e os planos para o futuro.
Por Barbie Dantas | RoraiRock
Quase duas décadas depois de sua formação, a DPEIDS continua sendo uma das bandas mais autênticas, irreverentes e resistentes do underground amazonense. Entre histórias de shows caóticos, amizades construídas na estrada, muita música e uma boa dose de "podreira", o grupo segue fazendo exatamente aquilo que sempre se propôs: tocar sem filtros, sem regras e sem abrir mão da própria identidade.
Em entrevista ao RoraiRock, Carlos Castilho, vocalista da DPEIDS, falou sobre a trajetória da banda, as transformações ao longo dos anos e os projetos que mantêm o grupo ativo às vésperas de completar 19 anos de estrada.
Quando questionado se a DPEIDS ainda era a mesma banda das esquinas e da cachaça, Carlos respondeu sem hesitar:
"A DPEIDS segue sendo a mesma banda, na sua essência."
Ele lembra que muita coisa mudou desde os primeiros anos, principalmente a rotina dos integrantes.
"Hoje é bem difícil se reunir na esquina pra fazer música como fazíamos no início da banda. Tem a correria do trabalho, as responsabilidades e até os assaltos que infelizmente fazem parte da realidade das cidades. Mas a essência continua a mesma."
Essa essência ajudou a transformar um projeto nascido no underground em uma banda que atravessou gerações da cena independente amazonense sem perder sua autenticidade.
Ao falar sobre o momento em que o famoso "rock podre" deixou de ser apenas uma brincadeira entre amigos e ganhou contornos mais profissionais, o vocalista admite que não houve uma data específica.
"Pra fazer isso por tanto tempo, tem que ter compromisso. Acho que o ponto de virada aconteceu nos últimos anos, principalmente depois da pandemia."
Durante esse período, a DPEIDS acumulou experiências importantes, lançando videoclipes, participando de festivais e levando sua música para diferentes cidades do país.
A evolução também pode ser percebida no som da banda. Segundo Carlos, a diferença entre as primeiras gravações e os trabalhos atuais é enorme.
"Do primeiro EP para o último lançamento existe uma diferença muito grande. Naquela época era tudo muito independente, feito na parceria e com poucos recursos."
Além da experiência adquirida ao longo dos anos, mudanças na formação também contribuíram para essa evolução. A chegada do baterista Babu e, mais recentemente, do guitarrista Tio Léo, trouxe novas influências e ajudou a ampliar a identidade sonora da banda.
Mas se existe algo que nunca mudou na história da DPEIDS, são os episódios inusitados vividos nos palcos.
Ao ser perguntado sobre o show mais caótico da carreira, Carlos Castilho precisou recorrer à memória para escolher apenas um entre tantos.
"Foram tantos que fica até difícil escolher um vencedor."
Entre histórias de cachês inexistentes, equipamentos desligados sem aviso e apresentações em locais improváveis, uma situação ganhou destaque.
"Um funcionário do bar interrompeu o show porque eu estava tocando de samba-canção. Disse que eu precisava vestir uma calça. Eu respondi que só tocava daquele jeito. Quando ele falou que o show teria que parar, eu encerrei na hora e joguei o microfone no chão."
Momentos como esse ajudam a explicar por que a DPEIDS construiu uma trajetória tão peculiar dentro do underground brasileiro.
Sobre a cena independente, Carlos acredita que a luta continua sendo a mesma de sempre.
"Ser underground sempre vai ser sobreviver na raça."
Para ele, são as bandas, produtores, coletivos culturais, casas de show e o próprio público que mantêm a cena viva em cidades como Manaus - AM, Boa Vista -RR, Belém -PA ou São Paulo -SP.
A liberdade criativa também continua sendo um dos pilares do grupo.
"As músicas da DPEIDS têm basicamente duas funções: incomodar e divertir."
Segundo o vocalista, a banda nunca teve preocupação em seguir fórmulas, agradar a todos ou parecer aceitável para determinados públicos.
Atualmente, a DPEIDS promove seu mais recente lançamento, o split "Enquanto o Mundo Apodrece", produzido em parceria com a banda Antiga Roll.
"Das sete músicas que entraram nesse trabalho, seis foram criadas poucos meses antes da gravação. É um disco que representa muito bem o momento atual da banda."
Além da divulgação do novo material, a banda já trabalha na produção de videoclipes para algumas das faixas do split e aguarda com ansiedade a chegada de um marco importante em sua trajetória: o lançamento do LP em vinil de 12 polegadas de Enquanto o Mundo Apodrece. O material conta com apoio da Neves Records e distribuição da Läjä Records, e atualmente está em processo de prensagem.
Para o segundo semestre, a DPEIDS também prepara uma turnê ao lado da Antiga Roll para divulgar o novo trabalho. Algumas datas já estão confirmadas nas regiões Sul e Sudeste, mas a expectativa é ampliar a rota para o Nordeste e outros estados do Norte.
Ao final da conversa, perguntei a Carlos o que mantém a DPEIDS viva depois de tantos anos.
A resposta talvez resuma toda a história da banda.
"Os shows são nossa sessão do descarrego. É ali que a gente coloca pra fora tudo que carrega durante a rotina."
E completou:
"O que mantém a banda viva é justamente a vontade que temos de nos sentirmos vivos."
Para encerrar, deixei uma última pergunta ao vocalista: se pudesse voltar para 2007 e começar tudo novamente, faria o mesmo caminho?
A resposta veio rápida e carregada da mesma convicção que acompanha a banda desde o início:
"Sim. E talvez até mais."
Depois de quase 19 anos, a DPEIDS segue exatamente como deveria: barulhenta, imprevisível, divertida e fiel à própria essência. Uma das sobreviventes de uma cena que continua resistindo, criando e fazendo barulho por pura paixão.
Quer acompanhar os próximos passos da DPEIDS? Siga a banda nas redes sociais, ouça o split Enquanto o Mundo Apodrece nas plataformas digitais e fique de olho nas datas da próxima turnê. Afinal, depois de quase duas décadas de estrada, a podreira está longe de acabar.
Instagram: https://www.instagram.com/dpeids?igsh=ODZib25xeXU4c3N5
Spotify:https://open.spotify.com/artist/038S6DZHXjaAgxx4nck6mB?si=EsrZznlCR8W_9dCDYGPibQ
Mama Records: https://www.instagram.com/mamarecords.br?igsh=c3V1cTg2OTg5Z3B4
13:30



