sábado, 30 de maio de 2026

DPEIDS: Quase duas décadas, fazendo barulho sem pedir licença

 Após quase duas décadas de estrada, a banda relembra sua trajetória, desafios e os planos para o futuro. 

Por Barbie Dantas | RoraiRock

Quase duas décadas depois de sua formação, a DPEIDS continua sendo uma das bandas mais autênticas, irreverentes e resistentes do underground amazonense. Entre histórias de shows caóticos, amizades construídas na estrada, muita música e uma boa dose de "podreira", o grupo segue fazendo exatamente aquilo que sempre se propôs: tocar sem filtros, sem regras e sem abrir mão da própria identidade.

Em entrevista ao RoraiRock, Carlos Castilho, vocalista da DPEIDS, falou sobre a trajetória da banda, as transformações ao longo dos anos e os projetos que mantêm o grupo ativo às vésperas de completar 19 anos de estrada.

Quando questionado se a DPEIDS ainda era a mesma banda das esquinas e da cachaça, Carlos respondeu sem hesitar:

"A DPEIDS segue sendo a mesma banda, na sua essência."

Ele lembra que muita coisa mudou desde os primeiros anos, principalmente a rotina dos integrantes.

"Hoje é bem difícil se reunir na esquina pra fazer música como fazíamos no início da banda. Tem a correria do trabalho, as responsabilidades e até os assaltos que infelizmente fazem parte da realidade das cidades. Mas a essência continua a mesma."

Essa essência ajudou a transformar um projeto nascido no underground em uma banda que atravessou gerações da cena independente amazonense sem perder sua autenticidade.

Ao falar sobre o momento em que o famoso "rock podre" deixou de ser apenas uma brincadeira entre amigos e ganhou contornos mais profissionais, o vocalista admite que não houve uma data específica.

"Pra fazer isso por tanto tempo, tem que ter compromisso. Acho que o ponto de virada aconteceu nos últimos anos, principalmente depois da pandemia."

Durante esse período, a DPEIDS acumulou experiências importantes, lançando videoclipes, participando de festivais e levando sua música para diferentes cidades do país.

A evolução também pode ser percebida no som da banda. Segundo Carlos, a diferença entre as primeiras gravações e os trabalhos atuais é enorme.

"Do primeiro EP para o último lançamento existe uma diferença muito grande. Naquela época era tudo muito independente, feito na parceria e com poucos recursos."

Além da experiência adquirida ao longo dos anos, mudanças na formação também contribuíram para essa evolução. A chegada do baterista Babu e, mais recentemente, do guitarrista Tio Léo, trouxe novas influências e ajudou a ampliar a identidade sonora da banda.

Mas se existe algo que nunca mudou na história da DPEIDS, são os episódios inusitados vividos nos palcos.

Ao ser perguntado sobre o show mais caótico da carreira, Carlos Castilho precisou recorrer à memória para escolher apenas um entre tantos.

"Foram tantos que fica até difícil escolher um vencedor."

Entre histórias de cachês inexistentes, equipamentos desligados sem aviso e apresentações em locais improváveis, uma situação ganhou destaque.

"Um funcionário do bar interrompeu o show porque eu estava tocando de samba-canção. Disse que eu precisava vestir uma calça. Eu respondi que só tocava daquele jeito. Quando ele falou que o show teria que parar, eu encerrei na hora e joguei o microfone no chão."

Momentos como esse ajudam a explicar por que a DPEIDS construiu uma trajetória tão peculiar dentro do underground brasileiro.

Sobre a cena independente, Carlos acredita que a luta continua sendo a mesma de sempre.

"Ser underground sempre vai ser sobreviver na raça."

Para ele, são as bandas, produtores, coletivos culturais, casas de show e o próprio público que mantêm a cena viva em cidades como Manaus - AM, Boa Vista -RR, Belém -PA ou São Paulo -SP.

A liberdade criativa também continua sendo um dos pilares do grupo.

"As músicas da DPEIDS têm basicamente duas funções: incomodar e divertir."

Segundo o vocalista, a banda nunca teve preocupação em seguir fórmulas, agradar a todos ou parecer aceitável para determinados públicos.

Atualmente, a DPEIDS promove seu mais recente lançamento, o split "Enquanto o Mundo Apodrece", produzido em parceria com a banda Antiga Roll.

"Das sete músicas que entraram nesse trabalho, seis foram criadas poucos meses antes da gravação. É um disco que representa muito bem o momento atual da banda."


Além da divulgação do novo material, a banda já trabalha na produção de videoclipes para algumas das faixas do split e aguarda com ansiedade a chegada de um marco importante em sua trajetória: o lançamento do LP em vinil de 12 polegadas de Enquanto o Mundo Apodrece. O material conta com apoio da Neves Records e distribuição da Läjä Records, e atualmente está em processo de prensagem.

Para o segundo semestre, a DPEIDS também prepara uma turnê ao lado da Antiga Roll para divulgar o novo trabalho. Algumas datas já estão confirmadas nas regiões Sul e Sudeste, mas a expectativa é ampliar a rota para o Nordeste e outros estados do Norte.


Ao final da conversa, perguntei a Carlos o que mantém a DPEIDS viva depois de tantos anos.

A resposta talvez resuma toda a história da banda.

"Os shows são nossa sessão do descarrego. É ali que a gente coloca pra fora tudo que carrega durante a rotina."

E completou:

"O que mantém a banda viva é justamente a vontade que temos de nos sentirmos vivos."

Para encerrar, deixei uma última pergunta ao vocalista: se pudesse voltar para 2007 e começar tudo novamente, faria o mesmo caminho?

A resposta veio rápida e carregada da mesma convicção que acompanha a banda desde o início:

"Sim. E talvez até mais."

Depois de quase 19 anos, a DPEIDS segue exatamente como deveria: barulhenta, imprevisível, divertida e fiel à própria essência. Uma das sobreviventes de uma cena que continua resistindo, criando e fazendo barulho por pura paixão.




Quer acompanhar os próximos passos da DPEIDS? Siga a banda nas redes sociais, ouça o split Enquanto o Mundo Apodrece nas plataformas digitais e fique de olho nas datas da próxima turnê. Afinal, depois de quase duas décadas de estrada, a podreira está longe de acabar. 

 Instagram: https://www.instagram.com/dpeids?igsh=ODZib25xeXU4c3N5

 Spotify:https://open.spotify.com/artist/038S6DZHXjaAgxx4nck6mB?si=EsrZznlCR8W_9dCDYGPibQ

Mama Records: https://www.instagram.com/mamarecords.br?igsh=c3V1cTg2OTg5Z3B4


sábado, 16 de maio de 2026

RAPHAEL DANTAS: 22 anos de resistência, potência vocal e dedicação absoluta ao metal nacional

 Com potência vocal, versatilidade e verdade artística, Raphael Dantas segue deixando sua marca no metal brasileiro

Entre palcos, estúdios e produções, o músico pernambucano constrói há mais de duas décadas uma trajetória marcada por autenticidade, peso e dedicação absoluta ao underground brasileiro.

No universo do metal, sobreviver por mais de duas décadas exige muito mais do que talento. Exige identidade, persistência e paixão verdadeira pela arte. E poucos artistas representam isso tão bem quanto RAPHAEL DANTAS.

Com 22 anos de trajetória e presença ativa nos palcos desde 2003, o músico pernambucano construiu uma carreira sólida dentro do underground brasileiro, longe de fórmulas prontas e tendências passageiras. Natural de Recife e atualmente vivendo em Sorocaba, São Paulo, Raphael carrega consigo uma caminhada marcada por técnica, peso, autenticidade e conexão genuína com a música pesada.

Muito além de apenas um vocalista, Raphael é um artista multifacetado. Voz, composição, teclados, bateria, produção musical, mixagem e masterização fazem parte de uma identidade artística construída ao longo dos anos com personalidade própria e dedicação intensa ao metal.

Seu nome ganhou projeção nacional em 2008, ao vencer o primeiro concurso de vocalistas da Soulspell, superando cerca de 100 cantores de diversas regiões do país. O reconhecimento abriu portas para colaborações importantes e consolidou sua presença dentro da cena metal brasileira.

Mas recentemente, Raphael também entrou para o Top 15 Vocalistas da Roadie Crew 2024/2025, reforçando o reconhecimento de fãs, músicos e profissionais da cena sobre sua potência vocal e versatilidade artística.

Durante sua trajetória, passou por bandas e projetos como Ego Absence, Caravellus, Andragonia, Preatcher, Mind Dust, sempre deixando sua assinatura através de interpretações intensas e presença marcante.

E vale destacar: Raphael segue ativo até hoje na banda Ego Absence, projeto que continua sendo uma das peças centrais de sua caminhada artística e criativa dentro do metal nacional.

Outro capítulo importante de sua carreira envolve sua participação no projeto Gloria Perpetua, onde contribuiu com performances marcantes nas faixas “Mothers of Jerusalem”, “The Key of Life” e “Beyond the Darkness Portal”, esta última em dueto com Christian Passos, da banda Wizards. Trabalhos que evidenciam não apenas sua potência vocal, mas também sua capacidade de interpretar atmosferas épicas, sombrias e emocionais dentro do heavy metal.

Mas Raphael vai além dos palcos.

Hoje, ele também se destaca fortemente nos bastidores da música pesada através do seu estúdio, o Modus Operandi Studio, espaço onde desenvolve trabalhos completos de produção musical  desde o nascimento da ideia até a entrega final do áudio.

Atuando com gravação, edição, produção, mixagem e masterização, Raphael já assinou trabalhos para projetos e bandas como Ego Absence, Gloria Perpetua, Burning Steel, Stratosphere Project, Fallen Shadows, Everlast Dream e Lethal Accords, mostrando uma visão artística ampla e uma compreensão profunda da sonoridade do metal em diferentes vertentes.

Seu trabalho de produção se destaca justamente pelo cuidado em preservar identidade, peso e emoção em cada projeto, algo cada vez mais raro em tempos de produções genéricas e fórmulas repetidas.

Além da música, Raphael também mantém forte ligação com o universo gamer, influência que aparece diretamente em sua criatividade, estética e visão artística.

Em uma época dominada por números, algoritmos e tendências rápidas, Raphael Dantas segue firme na contramão: construindo uma trajetória verdadeira, consistente e movida exclusivamente pela paixão pelo metal.

Uma carreira feita na raça, no underground e com absoluta dedicação à música pesada.

 Se você ainda não conhece o trabalho de RAPHAEL DANTAS, essa é a hora de mergulhar em uma trajetória construída com autenticidade, técnica e paixão pelo metal nacional.


Raphael Dantas

                                                   

                                                    COLIBRI-EGO ABSENCE


                                                 LET IT BURN - EGO ABSENVE




MOTHERS OF JURASALEM - GLORIA PERPETUA


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Por Barbie Dantas

 
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